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Palavras de passerelle.

palavras

Muitas vezes apetece-me dar um murro na mesa. Mas não dou. Opto por ser tolerante e adopto uma postura diplomata. Hoje senti que as palavras escritas são desvalorizadas. Não me conformo que haja pessoas que o façam. É mais fácil falar do que escrever. Será? A palavra dita é mais imediata, verdadeira, eficiente. Se fosse uma mulher, a palavra dita seria uma modelo da Victoria’s Secret. Desperta rapidamente a atenção, pode deslumbrar os mais facilmente impressionáveis e tem a capacidade estética de se tornar muito agradável para quem a assiste. E depois de ela passar? A passerelle fica vazia.

A palavra escrita permanece. Antes de existir, é pensada e no dia seguinte continua no mesmo sítio a atestar que existe. Dá mais trabalho escrever? Sim, dá. Mas comete-se menos erros quando se escreve primeiro antes de falar. Não só ortográficos.

Muitas vezes apetece-me dar um murro na mesa. Mas como prefiro ser uma mulher de metro e meio, não fico a ver o desfile das ditas palavras de passerelle.

Pormenores.

Há quem me chame de picuinhas. Dou-lhes razão. Isso não tem importância. Estás chateada por causa de uma coisa tão pequena? Tens de dar um passo atrás e ver o cenário maior. Talvez, respondo eu, para não comprar ali uma discussão. Mas a verdade é que não concordo nada com o “talvez”, porque a vontade é dizer “não”. Não, não é assim! Não, não é uma coisa sem importância. Não, não é uma coisa pequena. São pormenores que fazem a diferença. Toda. Deixar uma margarida (tem de ser uma margarida) em cima da mesa-de-cabeceira não é simplesmente deixar uma margarida em cima da mesa-de-cabeceira. É um pormenor. É a diferença. Lembrar o que dissemos, há meses atrás, sobre um corte de cabelo, uma música ou um corta-unhas, numa conversa de café “sem importância”, tem importância. Muita. Pouca. Ponto de interrogação. Para mim, sem medo de errar, muita. Dizem-me para mudar e deixar de ser assim. Picuinhas. Outra das coisas que me dizem é para deixar de pensar. Que bem. Vou fazer isso. Amanhã, quando acordar, levanto-me e vou ladrar em vez de pensar. Vou até ao quintal dar uma volta com a Faísca e passar a manhã deitada na relva, à espera que a patroa lance uma bolacha. Até essa bolacha é um pormenor, mas de tal importância que a Faísca mal ouve a porta do armário abrir, quebra o protocolo e invade o terreno sagrado da cozinha da patroa. Pormenores nunca são sem importância e devem ser valorizados. Acho mesmo que devia haver um dicionário para pormenores, porque nessa matéria há demasiados analfabetos. Uns por incompatibilidade com a terminologia, outros por opção. E quando se escolhe ser analfabeto, seja de que forma for, esse é um pormenor que salta demais à vista.

Espaço em branco.

espaço e branco

Há uma semana parecia tudo bem. Mas não estava e já há muito que não está, mas ela insistia em achar que estava. Pára com isso. Acaba agora antes que seja tarde depois. Uma voz amiga foi-lhe soprando ao ouvido numa esplanada no domingo. O café estava frio e a água ficou quente em cima da mesa. No último gole, a decisão ainda estava longe de ser tomada. O que faço agora? Depois de ter ouvido o que ouvi. Pensou e ainda pensa, à medida que pensamento se divide em dois monstros a digladiarem-se pela posse da razão. Pensa em ti primeiro. Não cries expectativas. Escolhe o que é melhor para ti. És bonita e inteligente. FODA-SE. Que importa isso, agora? Nada. Não vale de nada. E o tempo é outro que não passa à velocidade que queremos.

 

Ela não é de conflitos. Não gosta de confrontações. E mesmo que gostasse, não adiantaria. O tom descontraído e verdadeiro com que ouviu o que temia ouvir ainda ecoam quando encosta a cabeça na almofada, que, ultimamente, tem sido muda em conselhos. Puta.

 

As pessoas preferem sempre acreditar no pior dos outros. A semente da desconfiança é fértil mesmo sem luz e água. No fundo, ela já sabia que podia correr tudo mal e previu isso. Sabia que se isso acontecesse, seria ela a ser atirada ao chão. Então, por que não parou antes? Espaço em branco.

 

Amanhã é um dia especial. Não para ela.

 

Faz do trabalho areia e enterra a cabeça. Será essa a solução? No fundo, ninguém acredita nisso, mas diz porque é socialmente recomendável fazê-lo. Cambada de cínicos. “O que desloca a vulgar saudação – como está? – de ser uma indesculpável grosseria é o ser ela em geral absolutamente oca e insincera.” Obrigada Pessoa. 

 

A almofada está ao lado, mas continua muda. O silêncio grita, mas os ouvidos não ouvem. Mas porquê? Espaço em branco.

 

Faz tempo que não escrevo. Tenho lido mais. Não é bom quando isso acontece. De que adianta ler se não se entende. Dou por mim muitas vezes a ler e a não perceber patavina do que leio. Mas não dou parte fraca. Digo a mim própria: cala-te e segue em frente que ninguém se apercebeu que tu não percebeste.

Não gosto de dar parte fraca. Dos fracos não reza a história. Bahhh…frase feita. É o que dá não escrever há muito tempo. Quando recomeçamos, dámos por nós a elencar frases feitas. Mas que nós? Tenho de perder a mania de pensar que há mais pessoas como eu. Não há. E se houvesse o mundo seria bem pior.

Agora que penso, há frases feitas em todo o lado. E normalmente vêm sempre engatilhadas em coisas sentimentais. Eu feita parva que sou, e que por vezes me orgulho de ser, faço-lhes likes. Leio aquilo e penso: caramba, é mesmo isto. Como é que não pensaste tu numa frase assim? Para depois andar por aí, de like em like.

Falo em likes, mas eu de likes pouco percebo. Digo que sou da “velha guarda”, do tempo das disquetes, discos e cassetes. É fodido conversar com a malta nova de agora. Acho que começo a entender aquela coisa do “conflito de gerações”. E mais fodido do que não saber conversar com a malta nova é saber o porquê de isso acontecer.

Faz tempo que não escrevo. Deve ser por isso que à medida que escrevo, paro, leio e apago. Se fosse assim fácil apagar outras coisas. Por que diabo não podemos ter nós um botão como o teclado que apaga o que não interessa? Hoje sentei-me em frente ao mar. Estava frio. Não gosto de frio, mas deixei-me estar. Ao fundo das escadas estava um casal jovem a tirar fotografias com o pôr-do-sol e a tentar fazer montagens palermas, com o rapaz a fazer de conta que tinha o sol entre as mãos. Palermas. Quando se aperceberam que estava uma miúda de metro e meio sentada e arrepiada ao cimo das escadas…ignoraram e continuaram a ser palermas. Ainda bem. Ser palerma não é mau. Eu continuei sentada e eles evitaram passar por mim. Aí sim, foram palermas, no mau sentido.

Perdi a noção do tempo enquanto lá estive e confesso que saí de lá pior do que quando cheguei. Para começar, saí com mais frio. Mas há muitas formas de sentir frio.

Faz tempo que não escrevo. Hoje de manhã, aconchegaram o meu ego com uma simples palavra de elogio ao meu trabalho. Se calhar é por isso que voltei a escrever. Ou se calhar foi por ter ouvido outra(s) palavra(s), hoje. Não gosto de falar porque normalmente quando falo saem-me as palavras erradas, quando o pensamento é certo. De certeza que, se quando estive em frente ao mar, hoje, os palermas que estavam a tirar fotografias viessem ter comigo e perguntassem: “Então, tudo bem?”, eu dir-lhes-ia: “É…tá fresquinho”. E chamo-lhes eu palermas. Deve ser efeito reflexo.

Mas não é mau ser palerma. Tem dias em que até sinto um certo orgulho em ser palerma. Quando eu decido ser palerma, é bom ser palerma. Quando outros decidem por mim, não é tão bom.

Depois do casal de palermas ter ido embora, veio outro casal. Mais velho. Ele meio careca, com chinelos na mão. Ela com um saco ao ombro e livros num braçado. Pararam no mesmo sítio onde estavam os palermas há bocado. O raio do sol nunca mais se punha e toca de tirar a foto para o like. Estes não foram palermas como os outros e passaram por mim. Depois percebi que não eram de “cá”…deve ter sido por isso. Têm uma palermice mais refinada…ou menos, se calhar.

Faz tempo que não escrevo.

Leelo.

Tomorrow.

The clock marked 6am. He got up and dragged himself to the bathroom. Looked in the mirror and felt nothing. The wrinkles on his face were paths to a life of emptiness. A glass of scotch was his breakfast.

Michael!! A young woman screamed on the street. He opened the car window and saw it was Nena. Hi! How are you? I’m fine. How are you and the kids, Nena? We’re alright. I wanna ask you something… could you please go talk to Peter? He’s having some troubles in school and I don’t know how to handle it… Why? What’s going on? I think he’s being a victim of bullying… Her deep blue eyes were now an ocean. Ok. I will talk to him. Don’t worry! Thank you!

While Michael was driving, he looked through the rear view mirror and saw a woman in a bicycle. Anna. The beautiful Anna. The wind sang a lullaby with her dress while she was walking in circles on that meadow. Michael was no longer in the car. His hands were tied to Anna’s. The steering wheel was her waist and the seat was her naked body that he travelled endless times. He would give up his entire life to have a single minute with her lips again. In that moment, he was no longer Michael. He was Leelo. He was Anna’s Leelo. And that woman on the bicycle was no stranger. She was Layla. She was Michael’s Layla.

Michael forgot to keep his eyes open and on the road. And the road lead him to a huge truck of wood. It was the end and Michael knew it. He chose not to fight anymore, kept his eyes closed and embraced death. He was finally happy…kissing Layla’s lips again.

Yesterday.

STOP. Anna screamed from the other side of the meadow. Michael was laughing on the floor at her clumsiness. It was a simple task: they had to harvest the lemons for the summer lemonades. Everyone on the street was counting on them to make money out of the lemonade for the final year trip. But Anna just couldn’t climb the lemon tree without slipping, causing a huge laugh on Michael. Mostly, what Michael liked to see was her dress flying, obeying to the wind’s will.

When finally there were no more lemons to put on the basket, Michael helped Anna descend the tree and they sat with their legs crossed in front of each other. There were no awkward silence between them. They were talking in silence. Their eyes were seeing the same things.

Why were you laughing at me? Because your dress was telling me jokes. What was he saying? Isn’t it funny how this legs stay undaunted even when I’m making tickles on them? Really? My dress said that? You don’t believe me? I believe you, my sweet Leelo. What did you call me? Leelo. I don’t know why, it just came out of my mind right now… I don’t know, maybe it’s because I’m surrounded by lemons…le…le…Leelo. From now on you’re my Leelo. Thank the lemons. But you think I’m sour? No. That’s the twist. You’re my sweetest Leelo.  Well, if you’re giving me a nickname, it only fair if you get one too. And what would that be? Layla. Why?! Because, the first time I kissed you, we were listening to the Eric Clapton’s song. From now on, I’m your Leelo, only if you were my Layla. Deal.

Leelo and Layla gave hands and danced. The meadow was theirs.

One week. Two weeks. Three weeks. Four weeks.

There’s no discussion here, Michael. Decision has been made and there’s nothing you can do about it. You belong with those people. Since you were born, you knew that that was your future. Michael was speechless. He was controlling the anger inside him. He knew he had to respect his parents’s decision, but how can they rip his heart from his chest with such easiness? Why can’t they see he was no longer the same Michael from the earlier school years? I love Anna! The next thing he felt was his father’s hand on his cheek. He slapped him so furiously that Michael fell on the floor. His mother moved her foot to help him, but stopped.

Michael was no longer Leelo. And Leelo had to leave Layla behind.

Today.

The young men were ready. They all had their cloths ironed. Jake was particularly nervous. He knew he was doing the right thing. His heart and soul were completely committed. The nervosity was because of his stuttering. He was afraid of not being able to say the words properly.

Michael was sitting on the corner. His eyes were on the floor. He looked at his ring finger and imagined a wedding ring. A ring that could bring Anna back to his arms.

While they were waiting, Michael remembered the words of Samuel: are you sure you want to do this? This is a commitment for life… I know. I want to do this. Being here, learning all that I learnt in all this years convinced me. Rest, Samuel. I’m sure of my decision.

The certainty of his decision, however, was not that noble. He had to have a purpose for his life, now that his reason to be alive was dead. Anna decided not to live anymore, when Leelo left the meadow. It didn’t matter if he’s going to be a mason, postman or a fireman. His education didn’t let him have the courage that Anna had, so he only had to drag his life until God calls.

Get ready. It’s time. One by one, the elegant men formed a line. The doors opened and the music started. Michael was the last one. His parents were on the front row.

Jake didn’t stutter and Michael smiled. The words of the oath came out of Michael’s mouth properly as well. As part of the ceremony, all of the men had to lay down on the floor. Michael asked God to make him useful to others, since he was no longer useful for himself. On his feet again, Michael donned the cassock and felt the weight of the world on his shoulders.

And The EMA goes to…

As minhas previsões para mais logo, baseadas na minha simples e pobre, devo acrescentar, opinião:

Rising above the fear.

wheat2011 by swonders
wheat2011, a photo by swonders on Flickr.

“Feeling the warmth between the morning dew and the ears of wheat.
I sit and look forward. The sky’s without stars and the sun is hiding. The mountains scream at me but I shall not fear.”

P.C.

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